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RESFRIAMENTO EVAPORATIVO NA CATEDRAL DE BRASÍLIA

 

 

Brasília tem o título de Patrimônio Cultural da Humanidade outorgado pela ONU (Organização das Nações Unidas). Isto significa que suas edificações não podem sofrer alteração do ponto de vista arquitetônico para receber qualquer tipo de instalação complementar. Entre essas edificações, a Catedral Metropolitana de Brasília, que, por suas características construtivas e pelo clima da Região, causaria desconforto térmico a seus visitantes. Desta forma, proporcionar uma temperatura média confortável no interior da edificação tornou-se um desafio técnico.

 

A Catedral é descrita pelo engenheiro Ricardo Santos Dias Gibrail, da Air System, como sendo composta de uma cúpula de vidro aberta nas suas partes inferiores, acima de um espelho d'água, e com aberturas superiores no topo de sua estrutura. Internamente às paredes de vidro, segundo ele, existe em todo o contorno da edificação uma segunda face de vidro, onde são fixados painéis coloridos. A forma da base do edifício é circular, sendo suas galerias internas divididas em quatro quadrantes separados, complementa.

 

Outra característica da Catedral, consiste nas aberturas que possui na parte inferior e no ápice de sua estrutura de vidro, proporcionando facilidade para o efeito chaminé. Contudo, todas essas aberturas naturais, mesmo com ventos externos acima de 10 Km por hora, não promovem uma renovação de ar suficiente para proporcionar uma sensação de conforto.

 

Ricardo Gibrail afirma que: "A opção por equipamentos de ar condicionado foi descartada pela catedral ter aberturas e pela carga térmica advinda de sua área envidraçada, da ordem de 90%, que recebe sol direto durante todo o dia". Por outro lado, a utilização de um sistema de ventilação simples, foi também descartado devido às altas temperaturas no verão e ao alto índice de poeira em suspensão, que acontece no período compreendido entre os meses de maio a outubro, segundo o engenheiro Mariovaldo da Silva, da Munters Brasil.

 

Em Brasília, durante o período de maio a, novembro, época de estiagem, a umidade relativa chega a cerca de 10%. As temperaturas ficam em tomo de 30°C. "Foi pensando nesses fatores que concluímos que o sistema ideal a ser utilizado seria a ventilação com resfriamento evaporativo; desta forma conseguimos a filtragem do ar, eliminando-se partículas em suspensão, o resfriamento do ar, em contato com a água mais fria, e a umidificação de ar, proporcionando o necessário conforto térmico", afirma Ricardo Gibrail.

 

Definido o sistema, o primeiro problema encontrado, foi encontrar uma localização adequada para as casas de máquinas dos resfriadores evaporativos. A solução encontrada foi construir as casas de máquinas fora do perímetro do espelho d'água, a uma profundidade de 5 metros. Para a renovação e rebaixa mento- da temperatura interna da Catedral, foram utilizadas 4 caixas de ventilação, compostas de ventilador centrífugo e colmeias de celulose umidecida, para promover o resfriamento evaporativo, localizadas em cada quarto do círculo.

  

A dificuldade seguinte foi garantir uma contínua distribuição de ar ao longo de todo o perímetro da nave da Catedral. Como ao redor de toda a nave da Catedral existe uma galeria de serviços, onde todas as instalações elétricas e hidro-sanitárias estão instaladas e, na parte superior da galeria que divide a parede da nave existe uma fresta ao longo de todo perímetro de 5 cm de altura, veio, então, a solução de segmentar parte da galeria, utilizando-se a seção interna adjacente à nave como parte do pleno de insufla- mento a ser criado.

 

Foi necessário construir uma parede em alvenaria, paralela à parede interna da nave, para a criação deste pleno de insuflação. Internamente a esse pleno, foi criada uma divisão interna horizontal, construída com placa wall, abaixo 70 em do teto da galeria. Nesta placa foram abertos e instalados "dampers" reguladores de vazão ajustados em fábrica, para passagem constante de uma vazão máxima de 3.400 m3/h. Os "dampers" foram dispostos ao longo da galeria aproximadamente a uma distância de 3m de centro a centro, garantindo assim um fluxo de ar constante por metro linear de fresta. O sistema foi concluído em início de 2002 e pode proporcionar uma temperatura média interna na Catedral de 26,0oCo.

 

 

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